Ir ao D.O.M foi uma ótima maneira de fechar o ano de 2010 (um ano muito bom!) e a melhor forma para iniciar 2011 com ótima energia.
Segundo o ranking da revista inglesa, “Restaurant”, de 2010, o D.O.M. foi eleito o 18º melhor restaurante do mundo levando o prêmio S. Pellegrino World’s 50 Best Restaurants, sendo o único restaurante da América do Sul a estar nessa lista.
A lista dos melhores do mundo trouxe o D.O.M pelo quinto ano consecutivo. Em 2006, o restaurante chegou em 50ª; em 2007: 38º lugar; em 2008: 40ª posição; e em 2009, ficou com o 24º lugar.
Eu não conheço os outros 17 restaurantes que ficaram com posição melhor que o D.O.M., mas posso dizer que, com certeza, o D.O.M. foi o melhor restaurante que já estive (não que eu tenha ido a muitos restaurantes… risos).
A localização é ótima. Fica nos Jardins, em uma rua sem saída (que segundo um chef que trabalha com o Alex Atala, também será instalada uma padaria em breve – #babadoaindanãopúblico).
O prédio é pequeno, o salão principal é muito bem decorado e mistura sofisticação, com muitos detalhes e objetos com referência brasileira – claro, tudo com muito bom gosto.

No fundo do salão encontra-se uma parte da cozinha, que o cliente pode visitar, uma estante robusta com livros de gastronomia e uma escada que leva para um salão mais reservado (mezanino só com duas mesas).

Foi no mezanino reservado que fiquei (ainda bem, pois pude fazer coisas que pessoas elegantes não fazem, como tirar fotos dos pratos e cutucar o prato alheio com menos constrangimento… rs).
Logo que chegamos fomos recebidos pelo simpático garçom Cesar (se não me falha a memória) e por um não tão simpático maitre arrogante (que sempre nos desprezava, através das respostas secas e duras que nos dava… devia pensar: “pobre é fogo, tem que perguntar tudo!”).
Bom, de couvert recebemos pães quentinhos de azeitona, pão de queijo, pasta de alho batida com purê de batata acompanhada de alho caramelizado, coalhada de queijo com azeite de ervas (bem leve) e manteiga aviação. Os pães nos foram servidos incansavelmente, sempre quando o prato de pão ficava vazio.

Enquanto degustávamos o couvert (no meu caso, de forma obsessiva na pasta de alho), escolhemos as opções que provaríamos.
Dentre tantas opções, confesso que foi difícil escolher o que comeríamos e por isso pulamos as entradas para nos “matar” nos pratos principais.
Escolhemos o seguinte (aqui apresentadas conforme minha preferência):
1) Fettuccine de palmito (massa falsa que apesar de ter o formato de fettuccine, era feita de palmito), servido com camarão e molho de coral (camarão com ótima textura e sabor indescritível. Certeza que foi o camarão mais gostoso que já provei). R$124

2) Raia na manteiga de garrafa com tomilho limão (no ponto certo, ela tinha uma casquinha fina e douradinha por fora e uma textura macia por dentro com sabor refrescante por conta do tomilho limão), com mandioquinha defumada (puxada na manteiga de garrafa), brócolis e espuma de amendoim R$114

3) Filet alto com aligot R$118 – Como não gosto de carne mal passada, pedi para que abrissem a carne e trouxessem ela no ponto. Ela era extremamente macia, tinha um molho de carne bem reduzido, agridoce e caramelizado que lembrava um molho roti (talvez pela referência de ossobuco que senti).

Aeh, o Aligot! Seguinte… Pode parecer a justificativa mais tosca, mas a minha vontade de ir no D.O.M começou com a vontade de comer o Aligot, que vi em uma dessas reportagens por aí. A apresentação é bonita, porque a finalização acontece na frente da mesa e vemos aquele puxa-puxa dos queijos. Sim, é uma delícia, mas não é tão especial como eu imaginava… de forma grosseira digo que é um purê de batata muito bem feito com um bom queijo gruyere – que combina muito com o molho reduzido da carne.

4) E por último, pedimos um Confit de pato, com vinho madeira R$118 (que estava suave e com carne bem macia) servido com purê de cará. Gosto tanto quando o simples surpreende e foi isso que aconteceu aqui! O purê de cará tinha uma textura “soft” que trazia uma sensação gostosa quando colocado na boca. Confesso que gostei mais do purê de cará do que do famoso Aligot.

Como se não fossem suficientes os quatro pratos que compartilhamos, provamos algumas sobremesas – que também apresentarei conforme minha preferência:
1) Ravióli de limão recheado com banana, com calda de priprioca servido com pudim de leite R$20 – uma sobremesa delicada e que tinha um sabor fantástico. O ravióli de limão era lindo, tinha textura gelatinosa que derretia na boca, era bem refrescante e tinha a acidez do limão que duelava com a banana (que aparecia só um pouco tempo depois, quando a película do ravióli começava a se dissolver na boca). O pudim de leite, o mais gostoso que já comi, tinha consistência firme (ao ponto de ficar no formato de pudim), mas textura macia e lisa (até lembrava meu tão amado crème brûlée).


2) Espuma de manga, maracujá e baunilha, com sorvete de coco e cristais de gengibre R$19, refrescante, doce na medida certa e com a combinação perfeita entre os ingredientes.

3) Pirâmide de chocolate ao creme de tamarindo R$23. A pirâmide era deliciosa, feita com chocolate meio amargo, recheada com um leve mousse e algo que parecia croutons. Só o creme de tamarindo que não gostei, pois era azedo de mais para meu paladar. Achei que não combinou.

4) Torta de castanhas do Pará com sorvete de whisky, curry, chocolate, sal, rúcula e pimenta R$24 – lendo assim a combinação pode ser estranha… e era, risos. Na verdade a rúcula era mais parte da decoração e não influenciava o sabor. Achei que o whisky matou os demais ingredientes e a torta de castanhas não chamou minha atenção. Não repetiria esse doce em uma próxima visita.

E como as sobremesas eram pequenas, acabamos pedindo uma a mais:
5) Bolo cremoso de fubá e frescal, com sorvete de leite queimado R$23 – que trazia bolo comum com um sorvete com forte gosto de leite queimado, mas era tão forte que beirava o desagradável. Também passo esse doce para os que quiserem.

Paramos por aí, no que diz respeito a comidas – mas não nos contentamos com a comida e pedimos para ver o chef Alex Atala.
O garçom disse que ele estava no Dalva e Dito (outro restaurante do Atala, que fica na rua ao lado), mas disse que tentaria chama-lo.
Ah, ficou por isso mesmo.. Achamos que era papo do garçom e que o Atala não viria, claro – mas quando estávamos fechando a conta, fomos surpreendidos pela sua presença, sua simplicidade e sua enorme simpatia. Ele nos levou na cozinha, nos apresentou seu espaço de trabalho e ainda tirou fotos conosco (hahaha ! momento mico da tietagem).
Sabe, jamais imaginei alguém tão simples e atencioso (na minha cabeça rola um preconceito… sempre imagino pessoas importantes e famosas, como pessoas toscas – ainda bem que isso não é regra)

E foi aí que caiu a ficha. Estar entre os 20 melhores do mundo não é só ter a melhor comida. Ser um dos 20 melhores do mundo é complexo, envolve a combinação de um lugar bom para visitar – em que as pessoas se sintam bem, que possam apreciar uma comida que surpreenda, que tenha pratos com apresentação impecável, com atendimento atencioso e primoroso.
É… acho que nesse post deu para mostrar um pouquinho que o D.O.M cobre, muito bem, estes quesitos e que merece estar onde está.
Eli (ensaiando uma próxima visita)
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